05 fevereiro, 2008

Desabafo, dor no peito, insignificância!.

eu sempre tenho sim o costume de escrever quando estou triste; escrevo exatamente porque não sou muito de desabafar com alguém, não sei se é o certo, mas meus pensamentos são restritos, diria um pouco a mais que o normal. Sei que isso pode não ser muito bom, principalmente numa vida a dois; lembro que quando comecei a dar aulas em escolas estaduais, em um bairro tipicamente violento, eu fiquei embasbacada por uns dois dias, decepcionada... foi quando eu me perguntei se minha praia era a educação... sim, eu descobri que sim; e a partir de então, fiquei revoltada, encarnei de fato, a febre do acadêmico de pedagogia, rs. Porém todo esse processo me rendeu um desentendimento conjugal, porque simplesmente eu não falava o que eu tinha; e para quem me conhece, ter que entender o porquê de uma pessoa tão falante estar simplesmente calada, é um tanto quanto confuso.

pois bem, hoje eu me sinto assim, só que hoje eu me limitei nos comentários.
confesso que apesar da maternidade, não sou "muito dada" a "conversas de comadres", as comparações me irritam um pouco... mas hoje me senti absolutamente insignificante. Sempre que levo meu filho pra dar uma voltinha, encontro uma vizinha que tem um bebê de 10 meses; outro dia ela me perguntou o porquê de não querer outro bebê no momento, fui explicando a situação financeira, as aspirações profissionais quando ela me interrompeu dizendo que pra mim era fácil, mais fácil que pra ela criar um filho. Achei absurdo e não me alonguei na conversa.

hoje ao passear com marido e filho, a encontrei conversando, com os olhos cheio de lágrimas disse-me que ia dar seu filho... fiquei sem saber o que falar, olhava pra ela tentando entender o que se passava. Uma empregada doméstica, sem moradia, que pela história, o filho é de um homem casado... uma mãe ávida por criar bem o filho, preocupada com as cobranças que fará o filho a ela quando crescer... não encontrei as palavras certas na hora, só queria convencê-la a não fazer isso... Como ela eu sei, existem várias, mas a diferença está no sentimento... O grande problema é sempre dinheiro... eu não tenho uma justificativa sequer para criticá-la, porque me coloquei em seu lugar.

nossa sociedade, vou me limitar ao nordeste, ainda tem as "empregadas domésticas" como umas biscates, e a situação piora pra quem tem um bebê... e o governo, eu sinto muito, não pensou nisso, pois não temos profissionais e espaços públicos que recebam essas crianças (me refiro a bebês até os seus 2 anos), enquanto suas mães trabalham. Ora, se para as crianças maiores falta a devida assistência, imagine para os bebês. Na escola em que dei aula, CAIC- Centro de Apoio Integral a Criança, era pra ser assim, mas cadê? O prédio... sem mais delongas; e a maioria dos profissionais então... lembro-me bem o dia em que vi uma criança que brincava de bola com o braço quebrado, nooossa me preocupei a beça, saí da sala fui avisar ao pedagogo, sabe o que ele me respondeu? "Deixa "esses cão" pra lá, aqui não é hospital". Isso é desumano, mas não posso esquecer das horas de trabalho exacerbadas e do pouco salário... é fato, todo profissional precisa ganhar bem. Trabalhar na educação é algo fácil e difícil; fácil porque precisa-se sempre de professores; difícil porque para ganhar razoavelmente bem um professor precisa lecionar em várias instituições, o que dificulta a sua capacitação. E sem querer ofender, esses profissionais, os veteranos que não vêem a hora da aposentadoria, são eles que te dão um banho de água fria... eles vão logo avisando que você vai se arrepender, ou então perguntam o porquê de não fazermos outro curso tipo medicina, direito, enfermagem, rs.

Como então, pensar em deixar um bebê entregue a essas mentes, que são as perigosas? Eu me testo todos os dias, para saber se minha convicção é a mesma de sempre, porque eu temo muito perder o amor que precisa ter um educador pelas crianças...

01 janeiro, 2008

ao ano que findou.

Estamos mais uma vez às caras de um novo ano;
é bom a alegria dos encontros, uma boa bebida, companhia idem;
melhor ainda é não esquecer as metas,
aliás, todos somos movidos por essas escolhas que muitas vezes nos confundem...
esse ano que se passou, ao menos pra mim, foi um ano de muita superação;
a cada ano que passa, amadurecemos mais, e com isso, temos um ganho; as experiencias;
com elas vamos aprendendo certas lições;
eu aprendi que preciso policiar meus atos, mais precisamente meus impulsos,
dentro desses impulsos tenho de saber a hora de calar, por humildade ou sabedoria, cala-te boca!
não sou, mais faço questão de ser o melhor que posso;
no âmbito profissional, aprendi que não quero ser mais uma, gado é que se deixa levar pelo peso da maioria...
por conta disso, aprendi que é triste ter que engolir certas coisas que apesar de estarem às vistas, continuam a longo prazo, exatamente com há vários anos atrás; algumas coisas, infelizmente não mudam;
algumas alegrias passageiras são usadas como tapa- buracos de situações horrendas...
e a banalização destas é uma consequência drástica para todos nós;

sou humana e, portanto, respiro esperança.
meu desejo é contagiar amor, na sua essência mais pura possível.
e é isso que eu desejo para o mundo, afinal, contrariando os desiludidos de boas palavras: love isn't a losing game.

10 setembro, 2007

sobre o nosso respeito!.

Quero começar esse texto respondendo que não, não estou revoltada com as teorias, mas sim com o sistema tão previsto e amplamente caracterizado por elas em tempos tão antigos mais que são atualidade. Sou uma revoltada no total, assim como muita gente é e que por uma coisa ou outra se esquece ou se cala mesmo, pois os tempos sãos tão difíceis... Que o diga as 299 cidades nordestinas sem ÁGUA e à espera que o governo federal considere seu pedido de emergência. Alguém concebe beber água com larvas para não morrer de sede?! Isso é trivial para esses pobres coitados; e me remete ao fato de que não somos uma sociedade una, apenas lamentamos a situação... não fomos educados para isso pois os interesses são outros. Nossa sociedade capitalista que é, nos ensina a querer massacrar o outro e isso desde a escola, afinal para quê serviram as famosas medalhas no fim de cada ano letivo? É só parar e pensar um pouco no verdadeiro significado do vestibular... nós o fazemos em grande maioria, sem saber o que de fato queremos, e mais, quando nos "falta capacidade" escolhemos um curso menos concorrido e se ainda assim não der, apelamos por pagar caro uma faculdade, não é assim que maior parte da população faz?!
E o quê afinal aprendemos de mundo, de humanidade posto que somos a geração do ter? O máximo que fazemos com uma notícia desse gênero é lamentar, e isso quando não mudamos de canal para " não ver tanto sofrimento" traduzindo: para continuar a margem, omisso.
Se boa parte da população descobrisse o verdadeiro significado de educação/escola e se em consenso todos agissem em prol de um progresso além do que está escrito na bandeira não existia essa idéia que plantaram em nossas mentes sobre os insubordinados, "revoltados sem causa" utopistas e etc. O nosso lado cidadão sofreu uma lavagem cerebral estapafúrdia porque seria impossível um cidadão de fato aceitar tantos absurdos que são costumeiros aos nossos olhos.
Desde que tenho consciência de mundo ouço falar de efeito estufa, seca e etc., seja por cientistas ou religiosos, pois bem é chegado o tempo! Enquanto a d. Maria vai na calçada molhar o chão, pra sentir aquele vaporzinho subir jurando que tá arejando, diminuindo o calor, tem gente bem ali no sul do estado precisando de R$ 12,00 semanais pra pagar um carroceiro à busca de água em um açude distante; como um lavrador que não teve colheita vai pagar isso?! Nós somos acríticos a isso porque temos um ensino bitolado. E a consequëncia disso é a banalização da vida do outro, nós culpamos as pessoas que não têm uma boa situação!
Não me lembro de ter visto sequer uma coluna que ao criticar o presidente da philips no seu " momento infeliz" tenha mencionado alguma atitude do governo a respeito das carências de nosso estado, porque nosso nordeste é esquecido por causa disto, não há interesse do governo de fato, porque se assim o fosse... nem vou me alongar na maravilha que seria...
A bem da verdade é que somos malionetes.
Que mundo nós estamos deixando para as próximas gerações, ou melhor, para os nossos filhos, netos, bisnetos? isso nunca foi pensado de fato.
É melhor mascarar a realidade com paliativos do que assumir a usurpação de tantos valores e direitos cotidianos; afinal, dá muito mais trabalho e demanda muito dinheiro visto que mudanças governamentais são muito caras. E é muito difícl dividir o dinheiro das nossas contribuições, isso requer ficar sem vários carros, casas luxuosas, cirurgias plásticas, roupas e comidas caras... Mais certo estava Sartre, pois estamos mesmo é só.

12 agosto, 2007

um certo repúdio!.

Ironicamente ouvindo: "então vc adormece... e a gente sempre esquece de tudo que passou..."
sem querer, a melhor descrição para a situação brasileira;
e por falar em situação, sim, estou aqui vendo integralmente o Criança Esperança, foi belo o apelo de Fernanda Montenegro ao relatar a realidade da pobreza, é triste saber somente que tal realidade tão relata é tão morosamente tratada com uma paciência pelo governo.
Tá escancarado o pedido de uma BOA EDUCAÇÃO, será difícil descrever o que siginifica educar bem o cidadão brasileiro?!
Pois bem, um cidadão brasileiro bem educado, eticamente falando, não irá exercer sua cidadania votando num oportunista; um indivíduo crítico irá exigir, de modo geral, a efetivação de todos os projetos políticos; daí obviamente ficará mais difícil de se promover um mensalão, algo já esquecido, aquele tal fato que acabou em pizza e que rendeu até uma breve coreografia que foi capa da Veja, lembra?
É um verdadeiro nó na garganta de uma pessoa minimamente informada, perceber que a maioria das pessoas que não têm oportunidade assim o são por pura ignorancia, que é perpassada na escola. Uma pancada na cabeça é saber que os que se esforçam para manter-se no meio privado, por uma questão de às vezes também nem se atentar, acaba contribuindo com o sistema, pois o mesmo não oferece boas condições de trabalho; o que acarreta nessa mesmice aí, que me dá um misto de nojo e tristeza.
Ouvir de uma criança do Nordeste, PIAUIENSE, que não sabe o que quer ser quando crescer porque depende do que a vida levar... é no mínimo devastador na alma de qualquer educador, me referi ao EDUCADOR de fato. Um Jailson aqui, outro ali... ou melhor uns aqui, outros ali, vários catadores de côco que, por conta do sistema não têm perspectiva de vida, projeto de estudo, trabalho, moradia, saúde, lazer... éééééé isso mesmo, um besteirol relatado nas leis, nos direitos do cidadão, aprovadas por pessoas que sequer conhecem a verdadeira situação dessas pessoas, como podem estar lá para nos defenderem? Ou vc acha que está de fora?!

10 agosto, 2007

Canção Óbvia

Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos econversarei com os homens
Suarei meu corpo, que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais,
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque o meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:
em voz baixa e precavidos:É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso, esperar, na forma em que esperas,
porquê êsses recusam a alegria de tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque êsses, ao anunciar-te ingênuamente ,antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.

Paulo Freire
Genève, Março 1971.

In: Freire, P. Pedagogia da Indignação. São Paulo: UNESP, 2000.


Fonte: Instituto Paulo Freire (http://www.paulofreire.org/)

25 maio, 2007

"Hoje quero fazer como os bebês fazem: mostrar as gengivas só para o que me for agradável. Guardar as lágrimas para o que me for tragédia ou por demais bonito. E ficar com qualquer outra cara em posição de descanso, qualquer expressão insípida, menos com aquele ligeiro sorriso de antes, de sensatez estudada."
(Fernanda Young, in "O Efeito Urano")

18 maio, 2007

Encontro Acadêmico de Letras- Campus Clóvis Moura


É uma satisfação muito grande para mim, acadêmica de Pedagogia, paricipar do primeiro encontro realizado no Campus; de uma brilhante organização e preocupação com conteúdos a serem apresentados, algo realmente digno de uma boa receptividade pelos demais acadêmicos.
Porém, queria atrever-me à pauta de ontem, discutida na mesa redonda pelo ilustre professor e sócio- proprietário de renomada escola em nossa capital: Prof. Gilson Figueiredo. Que se referiu ao ensino de letras das nossas universidades ( Uespi e Ufpi), como insatisfatórios para o ensino em escolas privadas; algo que foi recebido por professores e acadêmicos com uma certa repulssa, óbvio. Verdade seja dita, nossa educação não é uma das melhores, me refiro ao ensino público. Todavia, esqueceu-se o professor que nossa pedagogia não está para as escolas privadas, apesar de claro, terem importancia na educação brasileira. Estamos sendo preparados pra não desistirmos de querer fazer uma mínima diferença que seja no nosso defasado ensino público; quem tem dinheiro para pagar óbvio, receberá sim um ensino de qualidade. Mas não nos esqueçamos daqueles, que apesar de pagarem tantos impostos não vêem retorno, que seja, na educação dos seus. Sim, estou defendendo a pedagogia de Paulo Freire, aqueeeeela utopia. E sim, é verdade que estudamos muitas teorias, mais se não nos atermos a elas, vai alguém se preocupar com elas?! Estamos convictos que Teresina está cheia de bons professores, mais estamos muito mais preocupados com uma posição crítica do que com a quantidade de alunos de dada escola que "passou no vestibular".